Acompanhamento oftalmológico deve fazer parte do pré-natal

Durante os nove meses de gestação, além das mudanças corporais mais evidentes, a mulher também pode apresentar alterações visuais decorrentes da hipertensão e do diabetes gestacional. “No pré-natal é comum o diagnóstico de retinopatia diabética devido às alterações nos vasos da retina provocadas pela hipertensão e pelo diabetes gestacional”, explica o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, IMO.

Oclusões vasculares retinianas, retinopatia hipertensiva, aparecimento de vasos sanguíneos anormais na retina e o desenvolvimento do glaucoma são complicações comumente diagnosticadas em pacientes que apresentam hipertensão arterial. Já o diabetes provoca uma série de reações no organismo que afetam diretamente a saúde ocular, predispondo o paciente a complicações na córnea, à catarata e ao glaucoma. Além disso, favorece o aparecimento da retinopatia diabética, a maior causa de cegueira permanente em indivíduos economicamente ativos. 

Nestes casos, quando há alterações no nervo óptico ou na retina, a gestante deve ser acompanhada por um oftalmologista durante a gravidez. “Ao apresentar aumento da pressão arterial ou diabetes gestacional, a mulher deve ser submetida a um exame de mapeamento de retina. Se o exame detectar um edema no nervo óptico ou alterações importantes na retina, o obstetra pode usar estas informações para decidir por uma cesárea”, afirma Centurion. Estas alterações na retina causadas pela hipertensão e pelo diabetes gestacional, geralmente, regridem após o nascimento do bebê.

Alteração na refração

O aumento na produção de hormônios também pode provocar uma maior retenção de líquidos na gestante, fazendo com que o inchaço apareça. “Essas mudanças podem causar alterações na córnea e a conseqüente mudança de grau de óculos e lentes de contato. São comuns também o aumento de queixas relacionadas à produção de lágrimas, levando ao aparecimento da Síndrome do Olho Seco”, diz Sandra Alice Falvo, oftalmologista que também integra o corpo clínico do IMO.

Caso a gestante apresente problemas de olho seco, o oftalmologista pode recomendar o uso de um lubrificante em colírio ou gel. “É um medicamento inócuo, tem apenas ação local”, explica a médica.

Geralmente, as alterações visuais causadas pela retenção de líquidos e inchaço desaparecem após o nascimento do bebê. “Por isto, não há a necessidade de que a gestante troque os óculos ou as lentes de contato durante a gestação, pois a refração se estabiliza após o parto”, diz a médica. Depois do nascimento da criança, a mãe pode passar por um exame oftalmológico de rotina para verificar se há a necessidade de fazer a troca dos óculos ou lentes.

Também não são indicadas a realização de cirurgias refrativas durante a gravidez, pois como as alterações na curvatura da córnea, que provocam as mudanças de grau são transitórias, o melhor é que a cirurgia seja feita após o nascimento do bebê.

Sandra Falvo destaca, ainda, que mães que durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre de gestação, tiveram rubéola, toxoplasmose, infecções intra-uterinas, citomegalovírus e sífilis estão mais sujeitas a transmitir essas infecções para o feto, aumentando as chances da criança apresentar problemas oftalmológicos. “Nestes casos específicos, é bom que o bebê seja submetido a um exame oftalmológico completo, assim que nascer”, diz.