Cirurgia de catarata melhora sono e função cognitiva

Se você estiver se sentindo cansado e sonolento durante o dia, talvez seja hora de fazer a cirurgia de catarata que você vem adiando. Um estudo recente descobriu que as pessoas com catarata, muitas vezes, experimentam má qualidade do sono. De acordo com os pesquisadores japoneses, a eficiência do sono foi de 85,8% em uma análise multivariada totalmente ajustada para pacientes que haviam sido submetidos à cirurgia de catarata em comparação com a eficiência do sono de 84,4% entre pacientes que não se submeteram à cirurgia.

“A catarata avançada pode reduzir a quantidade de luz que atinge a retina na parte posterior do olho e isto pode causar mudanças no ritmo circadiano, o que afeta o sono do paciente. A remoção da catarata deixa a luz entrar nos olhos novamente, o que pode normalizar o ritmo circadiano e restaurar a qualidade do sono. Isso acontece porque a catarata tende a absorver a luz azul e a luz azul é do comprimento de onda fundamental para o controle do ritmo circadiano”, explica o  oftalmologista Virgílio Centurion (CRM-SP 13.454), diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Além de melhorar a eficiência do sono, os pacientes do estudo também apresentaram 33% menos chances de serem diagnosticados com transtornos cognitivos. Segundo os pesquisadores, as pessoas que têm padrões de sono perturbados são mais propensas a apresentar prejuízos cognitivos.

“Na população idosa, em geral, a cirurgia de catarata é significativamente associada a uma melhor qualidade do sono e de função cognitiva. Sabemos que as pessoas idosas têm catarata e também sabemos que os idosos têm problemas para dormir, então este pode ser um mecanismo que influencia o sono”, diz o médico, que é membro da ALACCSA, Associação Latino-Americana de Cirurgiões de Córnea, Catarata e Cirurgias Refrativas.

O estudo, que foi realizado no Japão, foi apresentado durante o SLEEP – 2015,  reunião anual  da Associated Professional Sleep Societies, que aconteceu em junho, em Seattle, EUA. Os pesquisadores recrutaram 934 indivíduos saudáveis que tinham pelo menos 60 anos de idade. Do total de indivíduos no estudo, 780 não tinham feito a cirurgia de catarata; os restantes 154 foram submetidos ao procedimento. O estudo incluiu 499 homens, ou 53,4% do total.