Degeneração macular: comunicação pode reduzir a ansiedade dos pacientes

Os tratamentos atuais altamente eficazes para a perda de visão precisam ser aliados ao aconselhamento cuidadoso para garantir que os pacientes mantenham a boa saúde psicológica, bem como uma boa visão, recomenda uma nova pesquisa. “A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a causa mais comum de perda de visão no mundo ocidental, mas os tratamentos modernos melhoraram o nível de visão que os pacientes podem esperar manter. Esses tratamentos envolvem a injeção regular de inibidores do fator de crescimento endotelial vascular (anti-VEGF) no olho”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

No entanto, um novo estudo, realizado no Manchester Royal Eye Hospital e publicado no American Journal of Ophthalmology, aponta altos níveis de ansiedade e depressão não diagnosticadas persistentes em pacientes que fazem esse tratamento, apesar de seus melhores resultados visuais.

“Os pesquisadores dizem que os resultados do estudo demonstram o valor da interação humana entre oftalmologista e paciente, oferecendo garantia em torno da eficácia e da segurança associadas com as injeções anti-VEGF”, afirma o oftalmologista Juan Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO.

Tariq Aslam, autor do estudo, defende que: “alcançamos incríveis conquistas científicas no diagnóstico e no tratamento das doenças oculares, como a DMRI, que revolucionaram a capacidade de reverter a perda de visão que altera a vida. No entanto, não devemos esquecer o elemento humano ao aplicar tudo isso para garantir que todos os pacientes possam aproveitar todos os benefícios desta ciência de ponta”.

“O estudo representa um dos maiores e mais detalhados exames de pacientes submetidos à terapia anti-VEGF até à data. Isso nos ajuda a entender como fatores psicológicos e a construção de relacionamentos fortes com os profissionais de saúde podem ajudar a aliviar a ansiedade do paciente em torno das injeções”, afirma o oftalmologista Juan Caballero.

A pesquisa sugere que os pacientes que mantêm melhores relacionamentos com seus oftalmologistas podem se beneficiar de garantias adicionais em relação às taxas de sucesso da progressão da doença com a terapia anti-VEGF, podem reduzir o risco de se tornarem cegos no futuro e podem diminuir a probabilidade de desenvolverem problemas graves que ocorrem após as injeções.

“O estudo também destaca a importância de considerar o aconselhamento psicológico especializado para certos pacientes com DMRI. A literatura mostra que intervenções psicológicas e psicossociais personalizadas podem ser eficazes para reduzir a ansiedade e a depressão em pacientes com DMRI e contribuem para a aceitação da doença e para o ajuste aos tratamentos médicos. A pesquisa revelou que até 89% dos pacientes que apresentavam ansiedade e 91% dos que apresentavam depressão não estavam recebendo tratamento psicológico e psiquiátrico apropriado”, destaca Caballero.

Embora os níveis de depressão diminuam, uma vez que a terapia anti-VEGF é estabelecida, os médicos devem estar atentos a tais sintomas e seu potencial para prejudicar a qualidade de vida. “O uso de ferramentas padronizadas para examinar os pacientes com DMRI com sintomas de ansiedade e depressão na unidade de tratamento macular pode ajudar a identificar pacientes em risco. Mais pesquisas e ensaios controlados serão necessários para entender melhor a ansiedade e a depressão em pacientes com DMRI para desenvolvermos novas ferramentas de intervenção junto ao paciente e a nível clínico para reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida”, defende o Juan Caballero, oftalmologista do IMO.

Além da degeneração macular, as maculopatias bilaterais podem evoluir para baixa acentuada da visão central com residual perimacular e periférico que pode e deve ser estimulado por meio de auxílios ópticos de visão subnormal. “Esta atitude por parte dos oftalmologistas, com apoio familiar, pode contribuir muito para a recuperação e integração destes pacientes”, destaca Caballero.