Lentes de contato ou óculos?

Se você está na dúvida se deve trocar os óculos pelas lentes de contato… Saiba que elas liberam o rosto da armação e das lentes grossas, não machucam o nariz e dão maior liberdade à prática esportiva. Além disso, não reduzem o campo de visão, podem ser usadas com óculos escuros, não embaçam e para as mulheres apenas: não escondem a maquiagem.

“E o melhor: corrigem a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia. São uma boa alternativa para quem tem receio de fazer uma cirurgia refrativa” afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares. Segundo o médico, as lentes de contato só não são indicadas para quem tem algum tipo de alergia, infecção ou doença ocular, baixa produção lacrimal ou intolerância ao produto.

Ao optar pela troca dos óculos pelas lentes, o paciente deve fazer uma nova consulta ao oftalmologista para receber as orientações necessárias. As lentes de contato devem ser colocadas sobre a córnea que, junto com o cristalino, ajusta o foco da imagem. Em contato com o globo ocular, o material forma uma barreira que obstrui parcialmente o fornecimento de oxigênio na região.

“Ao piscar, as pálpebras ajudam a posicionar as próteses, de forma que elas permitam a passagem de lágrimas e, conseqüentemente, a oxigenação e remoção de detritos. Feito isso, a função da lente será modificar a convergência da luz na córnea, fazendo com que a imagem fixada se forme nitidamente na retina”, explica Sandra Alice Falvo, oftalmologista que também integra o corpo clínico do IMO.

Tipos de lentes

Basicamente, existem dois tipos de lentes: as rígidas e as moles ou gelatinosas. As primeiras têm maior durabilidade, são fáceis de limpar e são usadas simultaneamente com a maioria dos colírios. “Entretanto, podem ser desconfortáveis durante o período de adaptação e se deslocam da córnea com mais facilidade”, diz a oftalmologista. Fazem parte desse grupo as lentes que são indicadas para corrigir o astigmatismo.

Já as lentes gelatinosas são macias, confortáveis desde o primeiro dia de uso, raramente saem do lugar e têm alta hidratação, porém necessitam de uma higienização mais rigorosa e podem comprometer a nitidez em alguns tipos de astigmatismo. Neste grupo encaixam-se as descartáveis, as de uso prolongado e as coloridas. “As lentes rígidas e inflexíveis que eram usadas no passado perderam espaço. A lentes, hoje, vêm com filtro solar, que protegem a córnea contra os raios ultravioleta, prevenindo a catarata”, diz a oftalmologista.

Diante de tantas opções disponíveis no mercado, apenas o oftalmologista pode dizer qual é a mais indicada para cada caso e estipular o tempo adequado de utilização das lentes. “Para isso, é preciso avaliar o problema ocular, o grau (o das lentes de contato, especialmente das rígidas, é diferente do receitado para os óculos), o diâmetro da córnea, a sensibilidade do paciente e, por fim, a curvatura da lente”, explica Sandra Falvo.

As consultas periódicas ao oftalmologista – no mínimo, uma vez por ano – também são imprescindíveis. “Mesmo uma lente bem adaptada pode, a qualquer momento, provocar desconfortos por causa da diminuição de oxigênio no olho, por reações alérgicas e tantas outras complicações que vão desde uma conjuntivite até uma úlcera de córnea”, alerta a médica.

Cuidados especiais

É por essa razão que, independentemente da validade e da assepsia adequada, pode acontecer do paciente ser obrigado a trocar seu tipo de lente. Geralmente, as causas desses incômodos estão relacionadas a olhos secos (decorrentes da baixa umidade, do uso de medicamentos como antidepressivos e diuréticos e, ainda, de alterações hormonais), irritabilidade (provocada por fumaça, poluição ou spray aerosol), fadiga visual (especialmente em quem fica muito tempo em frente ao computador) ou cosméticos.

O acompanhamento médico se faz ainda mais necessário entre as pessoas que têm o hábito de dormir com lentes de uso prolongado, pois as chances de desenvolverem úlcera de córnea são maiores. “Mesmo que a embalagem indique que as próteses são próprias para dormir, elas devem ser retiradas a cada dois dias e o especialista tem que ser consultado para avaliar os riscos adequadamente”, recomenda a oftalmologista.

Se por um lado elas facilitam a vida, por outro é preciso ficar atento a alguns detalhes. Uma viagem de avião, por exemplo, pode gerar um desconforto, se durar mais do que duas horas. Isso porque a baixa concentração de oxigênio e a falta de umidade dentro da aeronave provocam o ressecamento do olho. Nesse caso, o melhor mesmo é lançar mão dos óculos até que os olhos se restabeleçam da vermelhidão, da dor e do lacrimejamento – o que acontece em algumas horas ou dias, dependendo da sensibilidade de cada indivíduo.

Um simples mergulho na piscina é outra coisa que pode custar caro à saúde: primeiro, porque é muito grande o risco da água contaminar as lentes e, segundo, porque, se o cloro aderir ao material, certamente, irá provocar uma irritação no globo ocular. “Para quem faz atividades físicas diariamente em piscinas, o jeito é não abrir os olhos embaixo d’água ou usar óculos de natação ou máscara de mergulho”, recomenda a médica.

Higienização

Antes de mudar para as lentes de contato, é importante saber que elas necessitam de cuidados diários. “Caso contrário, há o risco de vários desconfortos, desde uma sensação de areia nos olhos até uma infecção séria”, alerta a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que faz algumas recomendações sobre como deve ser feita a higienização:

1) Lavar bem as mãos com água e sabão antes de retirar a lente do estojo;

2) Enxágue-a com uma solução multiuso (própria para esse fim) ou soro fisiológico e coloque no olho;

3) Na hora de retirar, lave bem as mãos e coloque a lente no meio da palma da mão. Espirre um pouco da solução multiuso, esfregue suavemente com o dedo indicador, removendo os depósitos de sujeira que ficam aderidos à superfície, e enxágüe novamente;

4) Guarde a lente no estojo totalmente submersa na solução multiuso;

5) Quem usa lentes de contato com frequência deve repetir o procedimento acima diariamente. Se a utilização for eventual, limpe e troque o líquido do estojo pelo menos uma vez por semana.