Ler à noite requer cuidados com a visão

 

  • Aqueles que não lêem por hobby, mas estão visando o vestibular, concursos, faculdades ou têm algum material profissional para preparar nesse horário formam o grupo de pessoas que, com maior frequência, aproveita a madrugada para ler e estudar. O hábito de ler à noite precisa ser acompanhado de cuidados para não causar danos precoces à musculatura intraocular. Tão importante quanto garantir o bom desempenho é observar alguns cuidados que devem ser tomados para que não surjam ou se agravem problemas de visão. O ambiente de estudo deve ter condições adequadas de higiene, iluminação e ventilação. “A má iluminação ou excesso de luz causam cansaço visual e diminuição do rendimento”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.Uma boa iluminação é aquela que oferece contraste e quantidade de luz ideais para a realização de uma determinada tarefa. Já a iluminação mais prejudicial é aquela que cria ofuscamento. Além de desconforto, “ela diminui a habilidade de a pessoa ver, porque cria um véu que reduz o contraste na retina”, explica o médico;
  • Na hora de ler, “o mais aconselhável é que a lâmpada de leitura esteja a uns 40/50 centímetros acima da cabeça do estudante”, recomenda Centurion. Para o oftalmologista, “a luz deve incidir pelo lado contra-lateral à mão que escreve. Com essa posição, 60 watts de potência na lâmpada são suficientes para iluminar o ambiente de leitura”, diz. Quanto às lâmpadas, não há provas de que exista alguma que prejudique a visão. Mas o médico desaconselha o uso de luzes que emitam raios ultravioletas que são prejudiciais à pele. “São boas para iluminar um vaso ou um quadro, mas não para ser a luz principal de ambiente de estudo”, diz. Em geral, as pessoas se sentem melhor usando a luz incandescente, porque é aquela com a qual estão mais acostumadas e porque é mais similar à luz solar;
  • Outra orientação relevante para quem passa horas ininterruptas diante dos livros e cadernos é a de que é importante piscar. “Piscar é fundamental, pois faz a troca do filme lacrimal, uma película de lágrima que fica sobre a córnea, responsável pela manutenção da umidade dos olhos, indispensável para uma boa visão”, afirma o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO. O médico recomenda uma pausa de pelo menos 10 minutos a cada hora de estudo, para que a pessoa relaxe e volte a piscar normalmente;
  • Em ambientes com ar condicionado, é muito importante a troca regular dos filtros de ar, como também a instalação de umidificadores para não comprometer a lubrificação natural dos olhos. “Portanto, a pessoa deve ficar atenta a sinais como lacrimejamento excessivo, ardência ou sensação de areia nos olhos”, afirma o médico. Quando estes sintomas começarem a aparecer, é hora de desligar o ar condicionado;
  • “Os efeitos da leitura noturna realizada em ambiente e de forma inadequada são perceptíveis. Eles se manifestam por dor de cabeça, cansaço nos olhos e desinteresse sobre a matéria. Outras vezes, esses sintomas estão indicando que o indivíduo tem um pequeno grau de refração que precisa ser reajustado, corrigido”, alerta Eduardo de Lucca.