Olhos são sensíveis à radiação solar

Assim como a pele humana, os olhos podem ser mais ou menos sensíveis à radiação solar. De acordo com a cor, a idade e as condições de saúde do indivíduo, essa sensibilidade tende a ser maior ou menor. “O cristalino desempenha um papel importante na proteção às radiações UV. As cirurgias que eliminam o cristalino da estrutura ocular, como a cirurgia de catarata, modificam bruscamente essa condição de proteção e a implantação de lentes protetoras faz-se necessária”, explica Virgílio Centurion, membro da ALACCSA, Associação Latino-Americana de Cirurgiões de Córnea, Catarata e Cirurgias Refrativas.

Bebês e crianças correm maiores riscos de sofrerem danos oculares devido à maior transparência do cristalino. Nos adultos, esse risco é minimizado, pois o cristalino tende naturalmente a se tornar mais opaco com a idade e, assim, absorver maior quantidade de radiação.

As inflamações da córnea e da conjuntiva são consequências diretas da radiação UVB, que apresentam como sintomas dor, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, fotofobia e possível avermelhamento das pálpebras. “As lesões nas pálpebras são as que têm demonstrado relação mais direta com a exposição à luz solar, principalmente na identificação de lesões malignas. A radiação UVA é apontada como responsável pelo desenvolvimento da catarata”, explica o oftalmologista Juan Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO.

Os danos causados à visão podem ser divididos em dois tipos distintos de acordo com a forma de exposição: curtas exposições com intensas quantidades de radiação e longas exposições com baixas intensidades de radiação. “No primeiro caso, o elemento que mais sofre é a córnea, as manifestações são agudas e surgem após um período curto de latência; no outro caso, mais comum nos ambientes de trabalho, o cristalino e a retina são os mais atingidos”, afirma Caballero. Em ambos os casos, a manifestação pode se tornar um processo crônico, mesmo que seja decorrente de um processo agudo.

“Ainda que não haja uma determinação exata da susceptibilidade do olho à radiação, é certo que doses elevadas produzem fotoconjuntivite – inflamação da conjuntiva – e fotoqueratite – inflamação da córnea. Porém, exposições prolongadas, mesmo a baixas intensidades, podem também originar catarata, pterígio e alguns tipos de câncer que podem ser irreversíveis ou exigir uma intervenção cirúrgica”, reforça Virgílio Centurion.

Formas de proteção

Como a radiação UV não é necessária para a visão, não existem motivos aparentes para recomendar  aos pacientes a utilização de métodos que atenuem a intensidade desse tipo de radiação e, consequentemente, protejam os olhos. A radiação solar chega aos olhos de forma direta e indireta – radiação difusa. Essa segunda forma é ainda mais importante no caso da radiação UV, devido ao intenso espalhamento nessa região do espectro. Os filtros empregados na construção dos óculos de sol devem ser opacos aos comprimentos de onda menores que 400nm (UV) e maiores que 700nm (IV).

“As lentes adequadas para proteger os olhos devem estar livres de imperfeições, eliminar mais de 99% da radiação UV e entre 75 e 90% da radiação visível, evitando incômodo ocular e reflexos excessivos. De acordo com recomendações internacionais, os fabricantes de óculos devem indicar claramente o grau de proteção de cada lente”, informa o oftalmologista Juan Caballero.

A utilização de óculos de sol cujas lentes não ofereçam proteção adequada é considerada mais perigosa do que simplesmente não usar os óculos de sol. “O olho humano possui mecanismos de defesa naturais que são inibidos pela escuridão proporcionada pelas lentes. A pupila, que automaticamente se fecharia diante da luminosidade, mantém-se dilatada quando utilizamos lentes escuras. A reação natural do ser humano de fechar os olhos é comprometida pela utilização dos óculos de sol. Portanto, se as lentes não protegem os olhos, os raios ultravioletas passam e afetam a retina mais severamente do que se não estivéssemos usando nenhum tipo de lente”, explica Virgílio Centurion.

Além de saber o nível de proteção contra a radiação ultravioleta, é bom que o paciente conte com orientação profissional no momento da compra e adaptação dos óculos. “Deve ser dada preferência às lentes que envolvam bem os olhos ou que impeçam a penetração de luz através das aberturas existentes entre os óculos e o rosto”, recomenda Caballero.

A compra de óculos falsificados, ou a pirataria, além de se apresentar como um perigo potencial à saúde humana, dificulta, ainda, a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. A mercadoria falsificada é oferecida no mercado informal, o que dificulta a identificação e a responsabilização do vendedor ou do fabricante, e a comprovação da compra, por não haver emissão de nota fiscal. “No momento em que compramos um produto pirateado, rasgamos o Código de Defesa do Consumidor, que é a forma do cidadão garantir seus direitos e participar da sociedade de consumo”, diz Virgílio Centurion.

No endereço http://satelite.cptec.inpe.br/uv é possível acompanhar, em tempo real, o índice de radiação ultravioleta em todo o Brasil. De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, para os níveis 1 e 2 (baixo), não é necessário o uso de protetor. Para os níveis 3, 4 e 5 (moderado) e 6 e 7 (alto), além do protetor, é preciso também ficar à sombra em horários próximos ao meio-dia e usar camisa, óculos de sol e chapéu. Já os níveis 8, 9 e 10 (muito alto) e acima de 11 (extremos) recomendam evitar o sol ao meio-dia, permanecer na sombra, usar chapéu, óculos de sol, filtro solar e camisa.