Queimaduras químicas ligadas a detergentes líquidos

Entre 2012 e 2015, o número de queimaduras químicas nos olhos associadas às cápsulas de detergente líquido aumentou mais de 30 vezes, entre crianças em idade pré-escolar, nos EUA, de acordo com um estudo publicado online pelo JAMA Ophthalmology.

Nos EUA, a adoção generalizada de detergentes em formato de  cápsulas solúveis, contendo sabão suficiente para um único uso, levou a um aumento nas lesões associadas entre as crianças. Relatos de ferimentos relacionados a este tipo de embalagem  – envenenamento, asfixia e queimaduras –  sugerem que esse padrão pode ser em parte devido à embalagem colorida dos produtos e à aparência semelhante a de um pacote de doces.

Para realizar o estudo, os autores, pesquisadores da  Universidade Johns Hopkins, examinaram dados do Sistema Nacional de Vigilância de Lesões Eletrônicas (NEISS; administrado pela Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos EUA) relativos ao período 2010-2015, sobre lesões oculares que resultaram em queimaduras químicas ou conjuntivite entre crianças de 3 a 4 anos (crianças em idade pré-escolar).

Durante este período de tempo, 1.201 queimaduras oculares relacionadas com  detergente de roupa ocorreram entre crianças de 3 a 4 anos. O número de queimaduras químicas associadas às cápsulas de sabão aumentou de 12 ocorrências em 2012 para 480 em 2015; a proporção de todas as lesões oculares químicas associadas a esses dispositivos aumentou de 0,8% de queimaduras em 2012 para 26% em 2015. “Essas lesões ocorrem com mais frequência quando as crianças manuseiam as cápsulas de sabão e o conteúdo é esguichado em um ou ambos os olhos ou quando o conteúdo vaza em suas mãos e uma queimadura resulta do contato de mão-olho subsequente”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Os dados sugerem que o papel das cápsulas de detergentes nas lesões oculares em crianças em idade pré-escolar está aumentando. “Como a maioria das lesões nessa faixa etária, essas queimaduras ocorreram quase que exclusivamente em casa. Além do armazenamento e uso adequado desses dispositivos, estratégias de prevenção podem incluir redesenhar as embalagens para reduzir a atratividade desses produtos para crianças pequenas e melhorar sua força e durabilidade”, informa o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO.