Retinopatia hipertensiva: doença causa a diminuição da visão

A hipertensão é um mal silencioso. Sua taxa de incidência é de 30% na população brasileira, chegando, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, a mais de 50% na terceira idade. Para se ter ideia da gravidade da doença, a hipertensão explica 25% dos casos de diálise por insuficiência renal crônica terminal, 80% dos acidentes vasculares cerebrais (derrame) e 60% dos infartos do miocárdio. Essas doenças são as principais causas de morte no Brasil, são quase 300 mil óbitos por ano. As complicações da hipertensão quando não levam à morte prejudicam a qualidade de vida do paciente. “Oclusões vasculares retineanas, retinopatia hipertensiva, aparecimento de vasos sanguíneos anormais na retina e o desenvolvimento do glaucoma são complicações comumente diagnosticadas em pacientes que apresentam hipertensão arterial”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, IMO.

Retinopatia hipertensiva

A retinopatia hipertensiva é um distúrbio de visão que ocorre quando a pressão arterial torna-se extremamente elevada, como nos casos de hipertensão grave, hipertensão maligna e toxemia gravídica.

As repercussões da hipertensão arterial se fazem sentir, principalmente, no leito vascular de órgãos alvo, dentre estes, os olhos. O diagnóstico precoce dos sinais e lesões referentes à retinopatia hipertensiva permite avaliar a gravidade da hipertensão arterial, e, principalmente, realizar um acompanhamento evolutivo das lesões orgânicas hipertensivas como hemorragias na retina, microaneurismas, exudatos – extravasamento de gordura – espasmos arteriolares e estase de papila.

Os exames oftalmoscópicos das alterações vasculares – fundoscopia e oftalmoscopia direta e indireta – permitem que as alterações causadas pela hipertensão sejam diagnosticadas precocemente. A fundoscopia é um método prático para se avaliar os danos em outros órgãos alvo, além de fornecer informações sobre a severidade da doença. As alterações vasculares do olho podem comprometer a visão do paciente e exigem tratamento imediato da pressão arterial elevada. “O objetivo do atendimento médico, neste caso, é reduzir a pressão arterial elevada que é a causa base das alterações visuais”, explica Edson Branzoni.

Outras complicações causadas pela hipertensão

Outra complicação decorrente da hipertensão é a obstrução da circulação sanguínea retineana. “A veia central retineana é o principal vaso sanguíneo que transporta o sangue a partir da retina. A sua obstrução faz com que as veias menores da retina fiquem congestionadas e tornem-se tortuosas. Assim, a superfície da retina torna-se congesta e edemaciada e pode ocorrer um escape de sangue no olho”, diz o oftalmologista.

A obstrução da circulação sanguínea retineana ocorre, principalmente, em indivíduos idosos com histórico de glaucoma, diabetes, hipertensão arterial ou doenças que provocam alterações na coagulação do sangue. “A obstrução da veia retineana provoca perda de visão indolor e evolui muito mais lentamente do que os casos de obstrução da artéria retineana”, afirma Edson Branzoni.

As alterações permanentes da visão por causa da hipertensão incluem, ainda, o crescimento de novos vasos sanguíneos anormais na retina e o desenvolvimento do glaucoma. “A angiografia com fluoresceína é outro exame que auxilia o oftalmologista a determinar a extensão da lesão e o melhor plano terapêutico para cada paciente”, diz Edson Branzoni. Em muitos casos, o tratamento com laser pode ser utilizado para destruir os vasos sanguíneos anormais.

Na consulta oftalmológica do paciente hipertenso, outra queixa comum é o aparecimento de moscas volantes, que podem ser descritas como “pontos pretos, manchas escurecidas ou fios que se assemelham às teias de aranha, observados principalmente quando o paciente olha para uma parede branca ou para o céu claro”, conta Edson Branzoni. As lesões no fundo de olho, como as hemorragias de retina e os microaneurismas, são também bastante frequentes em indivíduos idosos não diabéticos e estão significativamente relacionadas com a presença e a severidade da hipertensão arterial.