Cirurgia de catarata

Não há nenhuma maneira de prevenir ou reverter a catarata com medicamentos. À medida que a doença progride, o único tratamento é a remoção cirúrgica. Se a taxa de perda de visão for acelerada ou se a catarata começa a prejudicar a execução de atividades importantes, como dirigir ou ler letras pequenas, a maioria dos pacientes concordará com o cirurgião que o problema precisa ser corrigido imediatamente.

Nos primórdios da cirurgia de catarata, a única coisa que o cirurgião podia fazer pelo paciente era remover o cristalino opaco. E a ausência da lente era suprida pelos famosos óculos “fundo de garrafa”, com lentes muito grossas. A mudança mais importante neste sentido foi o desenvolvimento e a melhoria das lentes de reposição artificial do cristalino. As novas lentes intraoculares (LIO) são inseridas dentro do olho para substituir o cristalino opaco que foi removido. Além das novas lentes, as técnicas cirúrgicas que usamos, hoje, para remover a catarata também evoluíram muito. Agora, realizamos a facoemulsificação, que é na verdade uma microcirurgia, onde o cirurgião utiliza um microscópio e opera através de uma pequena incisão, que normalmente é tão pequena que não requer sutura e não há sangramento.

A cirurgia de catarata, que antes se restringia a devolver a “visão possível”, há 30 anos, atrás, evoluiu para se tornar um procedimento que tenta libertar os pacientes  também do uso de óculos após a cirurgia. Procuramos restaurar a visão, com o implante das mais diversas lentes intraoculares, se possível de imediato, e sem necessidade de lentes oftálmicas após a cirurgia.

A maioria das cirurgias de catarata é feita usando colírios anestésicos para anestesiar o olho, ao invés de uma injeção de anestésico. Como a maioria das pessoas não gosta da ideia de alguém mexendo nos seus olhos, os pacientes se sentem mais relaxados durante o procedimento graças a um sedativo. Assim, os pacientes não vêem a cirurgia enquanto ela é realizada, o que se percebe, às vezes, são apenas luzes e cores do centro cirúrgico. Nós usamos um dispositivo de mola para segurar delicadamente as pálpebras abertas, assim o paciente não precisa se preocupar em não piscar.

No pós-operatório,  maioria dos pacientes pode ver bem o suficiente para caminhar e cuidar de si quase que imediatamente após a operação. Os pacientes geralmente usam colírios – antibióticos para prevenir infecção e anti-inflamatórios para acelerar a recuperação – por várias semanas após o procedimento. Inicialmente, a visão é borrada, mas geralmente melhora muito até o final da primeira semana. Como não operamos ambos os olhos ao mesmo tempo, quase todo mundo pode ver bem o suficiente para cuidar de si mesmo e para retomar a maioria de suas atividades normais, no pós-operatório. As restrições do passado, não são mais aplicáveis à moderna cirurgia de catarata, que conta com uma incisão muito pequena. As pessoas podem até voltar a trabalhar quase que imediatamente.

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