Plugues oculares: alívio para o olho seco

De acordo com uma nova meta-análise, publicada no jornal científico Ophthalmology, plugues oculares inseridos no canal lacrimal podem tratar com segurança os efeitos irritantes e prejudiciais dos olhos cronicamente secos. “Plugues oculares são geralmente bem tolerados. Em geral, o grau de alívio oferecido por esse tipo de dispositivo depende tanto do tipo de olho seco, quanto do tipo de plugue implantado”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion (CRM-SP 13.454), diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Segundo os autores da nova pesquisa, os pacientes com olhos secos que podem se beneficiar dos plugues são aqueles que já fizeram uso de colírios e géis, mas ainda tem coceira, olhos vermelhos, dor nos olhos, visão embaçada e sensação de corpo estranho nos olhos.

Cerca de 20-30 milhões de pessoas nos EUA sofrem olhos secos num grau leve e 9 milhões têm a doença na forma moderada a severa. Não há dados precisos sobre a incidência da doença do olho seco na população brasileira em decorrência principalmente da ausência de método bem definido de diagnóstico clínico para olho seco. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco – APOS, 10% da população geral, ou seja, cerca de 18 milhões de pessoas sofrem com a doença no Brasil.

“Os estudos têm demonstrado que o olho seco diminui significativamente a qualidade de vida dos pacientes impactados. Se não for tratada, os casos mais graves podem resultar em perda de visão devido à cicatrização da córnea”, afirma a oftalmologista Sandra Alice Falvo (CRM-SP 59.156), que integra o corpo clínico do IMO. 

Plugues para olhos secos 

Essa meta-análise analisou dados de plugues punctais (que são colocados no canal lacrimal), plugues intracanaliculares (inseridos mais profundamente no canal do duto no olho) e plugues absorvíveis. Os plugues punctais são normalmente feitos a partir de silicone ou um polímero acrílico, enquanto os tampões absorvíveis são feitos a partir de colágeno ou material sintético.

“Segundo os dados dos pesquisadores, ambos os tipos de plugues semi-permanentes ofereceram melhoras, a longo prazo, para os olhos secos, apesar de uma maior percentagem de pessoas, nos estudos sobre os plugues intracanaliculares,  apresentarem mais infecções perto do canto interno da pálpebra do que as pessoas com plugues nos pontos lacrimais ou que faziam uso de plugues absorvíveis. Os poucos estudos sobre plugues absorvíveis relataram diminuições temporárias dos sintomas”, informa Sandra Alice Falvo.

Os plugues são desenvolvidos para retardar a drenagem das lágrimas longe da superfície do olho. “Por isso mesmo, se o corpo não está produzindo lágrima suficiente, ou se esta lágrima não for de boa qualidade ou se existe um excesso de evaporação da lágrima, podemos pelo menos tentar maximizar o efeito de hidratação da lágrima que o paciente produz”, explica a oftalmologista.

Dos 27 estudos observacionais analisados pelos pesquisadores, 15 apontaram melhorias dos sintomas do olho seco, da superfície ocular, no uso de lágrimas artificiais, no conforto ao usar lentes de contato e no tempo de ruptura lacrimal e 25 estudos relataram a segurança do uso dos plugues.

“Os plugues ajudaram a aliviar os sintomas de olho seco em pelo menos 50% das vezes, também contribuíram para a melhoria da saúde da superfície ocular, para a redução do uso de lágrimas artificiais e para um maior conforto durante o uso de lentes de contato”, informa a médica.

As complicações graves dos plugues foram pouco frequentes, de acordo com os pesquisadores. Em 40% das 1.485 pessoas com plugues punctais houve perda do plugue ou da ação terapêutica do dispositivo. Outras complicações com os plugues detectadas incluíram “lacrimejamento extra” em 9% das pessoas e a remoção do plugue por causa de irritação em 10%. “O efeito colateral mais perigoso registrado foi o desenvolvimento de uma grave inflamação ou infecção em torno do plugue. Essa complicação é muito rara e desproporcionalmente comum com plugues intracanaliculares”, diz a oftalmologista Sandra Alica Falvo.

De uma maneira geral, a revisão mostrou a eficácia e a segurança relativa de plugues, mas são necessários mais estudos controlados.

Sandra Falvo destaca que “os olhos secos são mais comuns com a idade e em mulheres. Além dos plugues, os pacientes podem usar compressas quentes sobre o olho para aliviar os sintomas e devem aumentar o cuidado com a higiene palpebral. A ciclosporina tópica é outra opção. Os melhores candidatos ao uso de plugues são aqueles com estilo de vida agitado, que têm pouco tempo para fazer uso dos colírios”.